Desde o dia 20 de janeiro de 2026, passou a vigorar a nova metodologia do piso mínimo do frete rodoviário, após a conclusão da revisão técnica conduzida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A revisão não altera a existência do piso mínimo, mas atualiza coeficientes e parâmetros de cálculo previstos na Lei nº 13.703/2018 para aproximar os valores dos custos reais da operação, como combustível, manutenção, pedágio e desgaste dos veículos. Segundo a ANTT, o objetivo é reduzir conflitos contratuais e ampliar a segurança jurídica nas contratações de transporte rodoviário de cargas.
Para embarcadores, transportadoras e operadores logísticos, a mudança impacta diretamente o planejamento de custos, a formalização de contratos e a gestão documental, especialmente em um cenário de fiscalização mais automatizada.
A revisão foi resultado da Audiência Pública nº 08/2025, que permaneceu aberta por 30 dias e recebeu 196 contribuições formais, gerando 381 proposições técnicas analisadas, segundo dados divulgados pela própria ANTT. O processo manteve a estrutura legal existente, mas ajustou os parâmetros para refletir a dinâmica atual do transporte rodoviário de cargas.
Esse alinhamento afeta diretamente:
Esses efeitos reforçam o papel do piso mínimo como um instrumento regulatório com impacto sistêmico em toda a cadeia logística.
A Resolução ANTT nº 6.076/2026 trouxe maior clareza sobre os casos de aplicação do piso mínimo, reduzindo interpretações equivocadas. Segundo o Setcemg, a tabela se aplica exclusivamente ao transporte de carga lotação, caracterizado pelo uso exclusivo do veículo por um único contratante, entre origem e destino definidos, com apenas um documento fiscal.
A norma também estabelece critérios objetivos de exclusão:
Segundo análise do SETCESP, o pagamento do piso mínimo permanece obrigatório nas contratações de TAC independente e na subcontratação de ETC ou CTC, sempre que a operação ocorrer na modalidade de carga lotação.
Essas definições reduzem ambiguidades contratuais, mas exigem maior rigor na classificação da operação e na emissão correta dos documentos fiscais.
Além da revisão metodológica, a ANTT intensificou a fiscalização do cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Dados da Agência mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, foram registradas mais de 37,5 mil autuações, contra 4,3 mil infrações em todo o ano anterior, um aumento de quase nove vezes.
Esse crescimento está diretamente ligado à implementação de um novo sistema de fiscalização online, formalizado pela Nota Técnica nº 2025.001, que passou a realizar cruzamentos automáticos entre:
Segundo o Setcemg, a fiscalização tornou-se mais eficiente e menos dependente de abordagens presenciais, o que aumenta o risco de autuação em caso de inconsistências documentais ou descumprimento do valor mínimo estabelecido.
As penalidades previstas incluem:
Esse cenário exige atenção redobrada de embarcadores, transportadoras e subcontratantes.
Embora obrigatório, o piso mínimo não representa o valor final do frete. Segundo o Setcemg, a tabela cobre apenas custos de manutenção e deslocamento. Itens como lucro, pedágio, tributos, despesas administrativas e serviços logísticos complementares devem ser negociados separadamente.
Na prática, isso exige que as empresas tenham:
Sem esse controle, o risco não é apenas regulatório, mas também financeiro e operacional.
A revisão do piso mínimo do frete reforça a necessidade de gestão estruturada, baseada em dados confiáveis e aderência regulatória. Com regras mais claras e fiscalização automatizada, decisões tomadas sem visibilidade adequada aumentam o risco de multas, disputas contratuais e desequilíbrios de custo.
Para operadores logísticos, o desafio deixa de ser apenas cumprir a norma e passa a ser integrar o piso mínimo ao planejamento operacional e financeiro, garantindo previsibilidade e segurança jurídica em toda a cadeia.
Com regras de frete mínimo mais claras e fiscalização mais intensa, as decisões logísticas exigem visibilidade operacional, dados consistentes e controle sobre a execução. A Envoy centraliza informações de fretes, rotas e entregas em um único TMS, apoiando gestores na análise de desempenho, no controle de custos e na redução de riscos operacionais em operações cada vez mais reguladas.