O transporte rodoviário de cargas iniciou 2026 diante de um diagnóstico claro: o frete praticado no mercado está, em média, 10,1% abaixo do custo real das operações. O dado, divulgado pela NTC&Logística com base em uma análise técnica do DECOPE, não representa apenas uma distorção momentânea, mas um desalinhamento acumulado de custo e capacidade de repasse ao mercado.
O setor encerrou 2025 com aumento de volume para cerca de 40% das empresas. Em termos operacionais, houve recuperação. Em termos financeiros, porém, a margem foi comprimida. Isso ocorre porque o crescimento de volume não compensa, por si só, o aumento estrutural de custo quando o preço não acompanha a mesma trajetória.
A defasagem média de 10,1% indica que parte relevante das empresas está absorvendo internamente despesas que deveriam estar refletidas na formação do frete. Esse fenômeno corrói o capital de giro, reduz a capacidade de investimento e aumenta a vulnerabilidade financeira.
O primeiro vetor de pressão veio das mudanças regulatórias, especialmente com a Lei 14.599/23. A obrigatoriedade das apólices RCTR-C, RC-DC e RC-V transferiu ao transportador não apenas o custo financeiro do seguro, mas também a responsabilidade integral pela gestão do risco. A adoção da TSO tornou-se instrumento de recomposição, mas o repasse integral ainda enfrenta resistência em parte do mercado contratante.
Além disso, o fim da leniência no piso mínimo do frete, previsto na Lei 13.703/18, alterou o ambiente concorrencial. Com a fiscalização eletrônica via MDF-e e CIOT pela ANTT, operar abaixo da tabela oficial deixou de ser prática tolerada. O piso passou a ser requisito formal de conformidade na contratação de TAC, o que elevou o custo mínimo das operações e reduziu as margens de negociação.
Essas mudanças trouxeram previsibilidade jurídica, mas também aumentaram o custo estrutural da operação.
Outro ponto relevante foi a perda de produtividade associada às decisões judiciais relacionadas à ADI 5322. A redefinição de tempos de espera e descanso impactou diretamente a disponibilidade efetiva da frota. Na prática, menos horas produtivas por veículo significam maior diluição de custos fixos por viagem.
Simultaneamente, a escassez de motoristas qualificados intensificou a pressão sobre salários, benefícios e programas de retenção. O efeito combinado foi o aumento do custo fixo operacional, independentemente da variação do combustível.
No acumulado de 36 meses, os principais componentes de custo apresentaram as seguintes variações:
A redução do combustível no período não foi suficiente para neutralizar o avanço dos demais itens estruturais. Veículo e mão de obra continuam sendo os maiores vetores de pressão.
No recorte de 12 meses, os índices setoriais também mostram um desalinhamento relevante:
Especialmente no segmento de carga fracionada, a inflação setorial superou o índice oficial, o que reforça o argumento de que o custo logístico não acompanha necessariamente a inflação geral da economia.
A manutenção da Selic em 15,0% adiciona uma camada adicional de pressão. Em um setor que tradicionalmente concede prazo aos embarcadores, o custo de capital de giro passa a impactar diretamente a margem. Esse componente financeiro não está integralmente refletido nas planilhas referenciais da NTC, o que amplia o desafio de precificação.
Somado a isso, o início da segunda fase da reoneração da folha eleva a carga tributária sobre o setor, aumentando o custo trabalhista efetivo. A aplicação rigorosa de componentes como Frete-Valor, GRIS e TSO deixa de ser opcional e passa a ser mecanismo de sobrevivência econômica.
A defasagem de 10,1%, portanto, não é apenas estatística. Ela representa um ponto de inflexão para o setor.
Em um cenário de compressão tarifária e aumento de custo, a recomposição de preço é necessária, mas não suficiente. A sustentabilidade depende também de eficiência interna, controle rigoroso de dados e visibilidade operacional.
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