Aumento das multas por descumprimento da tabela de frete pressiona operações logísticas

03/2026

Nos últimos meses, o transporte rodoviário de cargas no Brasil passou a enfrentar um cenário de fiscalização muito mais rigoroso em relação ao cumprimento da tabela de frete. A intensificação do monitoramento eletrônico da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem ampliado o número de autuações e aumentado a atenção das empresas para a conformidade das operações logísticas.

Dados do Sistema de Fiscalização e Monitoramento da ANTT (SIFAMA) mostram que, entre 1º de janeiro e 22 de fevereiro de 2026, foram registrados 55,2 mil autos de infração por descumprimento do piso mínimo do frete em quatro municípios. O volume evidencia a escala que a fiscalização assumiu após a adoção de mecanismos automáticos de controle.

Essa mudança começou em 6 de outubro de 2025, quando a fiscalização eletrônica passou a ser aplicada de forma mais ampla. Desde então, 28,8 mil autos de infração foram emitidos em 13 cidades, resultado do cruzamento automatizado de informações operacionais nos sistemas da ANTT.

Fiscalização automatizada amplia número de autuações

O aumento das multas está diretamente ligado à digitalização do processo de fiscalização. Com a obrigatoriedade da inserção das informações do frete no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), os dados passaram a ser analisados automaticamente pelos sistemas regulatórios.

Esse modelo permite que inconsistências entre o valor do frete e o piso mínimo definido pela tabela sejam identificadas com maior rapidez.

Entre os principais números desse cenário estão:

  • - 55,2 mil autos de infração foram registrados entre janeiro e fevereiro de 2026 em quatro municípios.
  • - 28,8 mil autuações desde o início da fiscalização automática em outubro de 2025.
  • - 67 mil autuações registradas ao longo de 2025 em 74 municípios.
  • - A fiscalização passou a ocorrer por cruzamento automático de dados nos sistemas da ANTT.

Além disso, as penalidades podem ter impacto financeiro relevante para as empresas. A legislação prevê que a multa seja equivalente à diferença entre o frete pago e o valor mínimo devido, com valor mínimo de R$550 e limite de R$10,5 mil por infração, além da possibilidade de indenizações adicionais.

Impactos na cadeia logística

O aumento das autuações tem afetado diferentes agentes do transporte rodoviário de cargas. Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) indica que:

  • - 65% das multas foram aplicadas a transportadores
  • - 21% a embarcadores
  • - 14% não tiveram o responsável informado

Outro ponto levantado por entidades do setor é a complexidade operacional de algumas modalidades de transporte, especialmente no caso de carga fraccionada, que envolve múltiplos embarques, diferentes remetentes e diversos destinos em uma mesma viagem.

Essa característica pode dificultar o enquadramento das operações na lógica utilizada pelos sistemas de fiscalização, aumentando a necessidade de acompanhamento e gestão detalhada das informações logísticas.

Debate regulatório continua no Congresso e no STF

Ao mesmo tempo em que a fiscalização se intensifica, cresce o debate institucional sobre o futuro da tabela de frete no Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem defendido mudanças no modelo atual, propondo que o piso mínimo deixe de ser obrigatório e passe a ter caráter referencial para negociação entre as partes.

A entidade apoia emendas à Medida Provisória 1.328/2025, editada em dezembro de 2025, que prevê a criação de linhas de financiamento de até R$6 bilhões para aquisição de caminhões novos ou seminovos. Entre as propostas discutidas no Congresso está justamente a possibilidade de transformar a tabela em um parâmetro orientador, em vez de uma obrigação legal.

Enquanto o debate avança, o setor produtivo também acompanha a tramitação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.964, que questiona a constitucionalidade do piso mínimo do frete e ainda aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Conformidade e controle operacional ganham ainda mais importância

Com a intensificação da fiscalização e o aumento das autuações, empresas de transporte, embarcadores e operadores logísticos precisam reforçar o controle sobre as informações que compõem cada operação.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • - registro correto das informações de frete nos documentos fiscais
  • - acompanhamento das regras do piso mínimo definidas pela ANTT
  • - monitoramento das operações para evitar inconsistências
  • - gestão estruturada de dados logísticos e financeiros

Nesse contexto, a organização e a visibilidade das informações logísticas tornam-se fundamentais para reduzir riscos regulatórios e apoiar decisões mais seguras na gestão da operação.

Estruture sua operação para um ambiente regulatório mais rigoroso

Com a fiscalização eletrônica ampliando o controle sobre as operações de transporte, a gestão de dados logísticos torna-se cada vez mais estratégica para empresas que precisam garantir conformidade e eficiência.

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