O e-commerce brasileiro registrou 756,7 milhões de pedidos no primeiro semestre de 2026, uma alta de 34,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o faturamento chegou a R$208,4 bilhões, representando um crescimento de 16,9%. Os dados são do relatório “Da Compra à Confiança: Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026", elaborado pela Confi, por meio da Neotrust e da Aftersale, em parceria com o E-Commerce Brasil.
No modelo tradicional, o pedido realizado no e-commerce é direcionado para um centro de distribuição, separado, expedido e encaminhado ao consumidor. Em uma rede com lojas físicas espalhadas por diferentes regiões, porém, pode existir uma alternativa: o produto disponível em uma unidade próxima ao cliente pode ser utilizado para atender aquele pedido.
É justamente essa lógica que está por trás do ship from store. A estratégia utiliza o estoque das lojas físicas para atender pedidos online, transformando determinadas unidades em pontos adicionais de expedição. Na prática, isso amplia as possibilidades de origem da entrega e aproxima o produto do consumidor.
O Ship from store é uma estratégia de fulfillment na qual pedidos realizados no e-commerce são separados e expedidos a partir de lojas físicas da própria rede.
No modelo tradicional, a operação pode seguir uma lógica como:
E-commerce → centro de distribuição → consumidor
Com o ship from store, a rede passa a trabalhar também com:
E-commerce → loja adequada → consumidor
A loja deixa de ser apenas um ponto de venda e para participar da operação de atendimento dos pedidos digitais. Isso exige integração entre os canais para que a empresa saiba quais produtos estão disponíveis em cada unidade, quais pedidos podem ser direcionados para cada loja e como essas entregas serão executadas.
A estratégia faz parte de uma lógica omnichannel na qual estoque, pedidos e canais de venda são tratados de forma integrada. Em vez de manter a loja e o e-commerce como operações separadas, a empresa utiliza a estrutura física existente para ampliar as possibilidades de fulfillment.
O crescimento do volume de pedidos aumenta a pressão sobre toda a cadeia de atendimento. No primeiro semestre de 2026, o e-commerce brasileiro registrou 756,7 milhões de pedidos, 34,8% acima do mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, fatores relacionados ao frete e ao prazo continuam influenciando a decisão de compra.
Segundo o CX Trends 2026, realizado pela Octadesk em parceria com a Opinion Box, o frete elevado foi citado por 65% dos consumidores que desistiram de uma compra, enquanto prazos de entrega longos apareceram para 41% dos entrevistados. Nesse cenário, a localização do estoque passa a ter impacto direto sobre a capacidade de oferecer diferentes alternativas de entrega. Uma rede varejista pode ter determinado produto disponível em uma loja localizada muito mais próxima do consumidor do que seu centro de distribuição.
O ship from store permite utilizar essa proximidade como parte da estratégia de fulfillment. A McKinsey aponta que o uso de lojas para atendimento de pedidos pode aumentar a produtividade do estoque e acelerar a chegada dos pedidos ao consumidor, desde que a operação consiga superar os desafios relacionados a estoque, picking e execução.
Isso significa que a estratégia não depende apenas da existência de lojas físicas. É necessário determinar quais unidades podem participar da operação, quais pedidos elas conseguem atender e em quais situações o envio a partir da loja oferece uma condição operacional melhor.
Quando o produto está disponível em uma loja próxima ao endereço de entrega, a distância entre origem e destino pode ser menor do que em um envio realizado a partir de um centro de distribuição distante.
Essa configuração pode contribuir para reduzir o tempo de transporte e, dependendo da rota e das condições contratadas, criar alternativas de frete mais competitivas.
A operação deixa de depender exclusivamente dos centros de distribuição. Lojas selecionadas podem funcionar como pontos adicionais para atender determinadas regiões e pedidos.
Essa distribuição também pode ajudar a empresa a utilizar melhor sua presença física, principalmente quando existe uma rede de lojas localizada próxima às principais áreas de demanda.
Um produto disponível em uma loja pode atender um pedido online sem precisar aguardar uma transferência para o centro de distribuição.
Com estoques conectados, a empresa passa a ter mais possibilidades para decidir onde um pedido será atendido. Isso pode melhorar a disponibilidade de determinados produtos e reduzir a distância percorrida em algumas entregas.
O principal ganho estratégico está na possibilidade de escolher entre diferentes origens.
Um pedido pode ser atendido pelo centro de distribuição ou por uma loja, dependendo de critérios como disponibilidade do produto, localização, custo, prazo e capacidade operacional.
A rede passa a trabalhar com diferentes pontos de atendimento em vez de depender de uma única origem para todos os pedidos.
Esse é um dos principais pontos para entender a estratégia. A loja fisicamente mais próxima do consumidor nem sempre é a melhor origem para determinado pedido. A decisão precisa considerar as condições completas da operação.
Imagine um pedido para uma região onde existem três lojas com o mesmo produto. Uma está mais próxima, mas possui pouca disponibilidade e uma janela de coleta limitada. Outra está um pouco mais distante, porém tem estoque confirmado, maior capacidade de separação e uma transportadora disponível com melhor custo e prazo.
Nesse cenário, escolher apenas pela distância pode gerar uma decisão operacional pior.
A definição da origem pode considerar:
Por isso, o ship from store exige uma camada de decisão que conecte informações comerciais, operacionais e logísticas. A pergunta deixa de ser apenas “qual loja está mais perto?” e passa a ser “qual origem consegue atender este pedido nas melhores condições operacionais?”.
Transformar lojas em pontos de expedição cria novas possibilidades para o e-commerce, mas também adiciona complexidade à operação.
O sistema precisa refletir o que realmente está disponível na loja. Se o e-commerce identifica um produto como disponível, mas a unidade não consegue localizá-lo fisicamente, o pedido pode gerar atraso, cancelamento ou substituição.
A McKinsey aponta uma diferença relevante entre a acurácia de estoque de lojas e centros de distribuição. Segundo o levantamento da consultoria, lojas geralmente apresentam níveis de acurácia entre 70% e 90%, enquanto centros de distribuição podem superar 99,5%.
Isso mostra por que a integração entre estoque físico e digital é uma condição importante para o ship from store.
Separar um pedido online exige uma rotina diferente da venda tradicional. A unidade precisa localizar o produto, realizar o picking, conferir os itens, embalar o pedido e disponibilizá-lo para coleta. Esse processo também consome recursos da operação. Segundo a McKinsey, o custo por item do picking em loja costuma ser entre 1,5 e 2 vezes maior do que em centros de distribuição e fulfillment centers.
Por isso, o ganho obtido com a proximidade do consumidor precisa ser analisado em conjunto com os custos adicionais da operação em loja.
Quanto maior a quantidade de lojas participantes, maior o número de possibilidades para atender um pedido.
Sem critérios estruturados, a operação pode escolher origens com estoque inadequado, custo de transporte elevado ou baixa capacidade de expedição. A definição da origem precisa considerar as variáveis que realmente influenciam o desempenho daquele pedido.
A inclusão de lojas como pontos de expedição também aumenta a quantidade de combinações entre origem, região, transportadora, custo e prazo.
Dependendo da localização, diferentes parceiros podem estar disponíveis para realizar a coleta e a entrega. Por isso, a gestão do transporte precisa acompanhar essa nova configuração da rede.
A responsabilidade logística não termina quando o pedido é separado na loja.
Depois da coleta, o e-commerce precisa acompanhar o deslocamento, identificar atrasos, registrar ocorrências e verificar o cumprimento do SLA. Quanto maior o número de origens e rotas, maior a necessidade de centralizar essas informações.
O ship from store pode ser especialmente relevante para empresas que já possuem uma rede de lojas distribuída geograficamente e querem utilizar essa estrutura para atender pedidos digitais.
A estratégia tende a encontrar condições mais favoráveis quando:
Por outro lado, o modelo pode apresentar limitações quando a acurácia do estoque é baixa, as lojas não possuem estrutura para fulfillment ou o custo de picking e coleta supera os ganhos obtidos com a redução da distância de transporte.
A HBR também destaca problemas relacionados ao atendimento de pedidos a partir de lojas, incluindo itens ausentes ou substituídos. O ponto reforça que a estratégia depende da qualidade da execução dentro da unidade.
Por isso, não existe uma regra de que todo pedido deve sair da loja. O ship from store funciona melhor quando a empresa consegue determinar quando utilizar a loja, qual loja utilizar e em quais condições essa escolha faz sentido.
Quando uma rede passa a utilizar lojas como pontos de expedição, a operação ganha novas origens, rotas, parceiros e decisões logísticas. Essa complexidade exige uma visão integrada da execução. A empresa precisa conectar o pedido à origem escolhida, organizar a rota, definir a transportadora, acompanhar o SLA e monitorar a entrega até a conclusão.
É nesse ponto que a tecnologia de gestão logística ganha relevância. A operação precisa transformar diferentes informações em decisões coordenadas, principalmente quando milhares de pedidos podem ser atendidos por diferentes lojas e parceiros.
A Envoy atua nessa camada da operação, ajudando empresas a centralizar informações e acompanhar a execução logística a partir de diferentes pontos de origem. A plataforma reúne recursos para roteirização, gestão de transportadoras, rastreamento em tempo real, acompanhamento de SLA, gestão de ocorrências, custos e indicadores de desempenho.
Para uma operação de ship from store, isso significa ter mais visibilidade sobre o que acontece depois que a loja é definida como origem do pedido. A empresa consegue acompanhar as rotas, identificar desvios, analisar ocorrências e avaliar o desempenho da operação a partir de diferentes pontos de expedição.
O ship from store amplia as possibilidades de fulfillment ao transformar lojas físicas em pontos adicionais de expedição. Para o e-commerce, isso pode aproximar o estoque do consumidor, criar novas alternativas de entrega e melhorar o aproveitamento da estrutura física já existente.
O resultado, porém, depende da capacidade de conectar estoque, pedidos, lojas e transporte. Uma loja próxima ao consumidor só representa uma boa alternativa quando possui o produto disponível, consegue preparar o pedido e pode realizar a expedição dentro das condições necessárias.
Por isso, o ship from store deve ser tratado como uma decisão operacional. A origem do pedido precisa ser definida a partir de dados de estoque, localização, custo, capacidade, transportadora e SLA.
Quanto maior a quantidade de pontos de expedição, maior também a necessidade de visibilidade sobre a execução. É essa conexão entre diferentes origens, rotas e parceiros que permite transformar uma rede de lojas em uma estrutura de fulfillment integrada ao e-commerce.
Mais pontos de expedição exigem mais controle sobre a operação.
Com a Envoy, empresas podem centralizar a gestão das entregas, organizar rotas, acompanhar transportadoras, monitorar SLAs e visualizar ocorrências em tempo real. Assim, cada nova origem de pedido pode ser acompanhada dentro da mesma operação logística.
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